75 Anos da Declaração Schuman
Hoje, na Francisco Simões, teve lugar um encontro especial que reuniu o Presidente do Comité de Politicas Educativas da OCDE e ex-ministro da Educação João Costa e o diretor da Companhia de Teatro de Almada, Rodrigo Francisco,
numa conversa centrada na União Europeia, nos seus valores fundadores e nos desafios que hoje enfrenta. O encontro inseriu-se no âmbito do projeto EPAS a a partir do livro da eurodeputada Ana Catarina Mendes "75 Anos da Declaração Schuman: Que Futuro para a Europa" e contou com a presença de alunos do 11° ano de Humanidades e de Multimédia.
Ao longo da conversa, destacou-se a importância de viver em comunidade, não apenas como princípio político, mas como base fundamental para a convivência humana. Recordou-se o início do projeto europeu com a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, uma iniciativa que pretendia garantir a paz e a cooperação após décadas de conflitos devastadores. A referência à Declaração Schuman surgiu como um momento fundador dessa visão: a ideia de que a união entre países, assente na solidariedade e na cooperação económica, poderia tornar a guerra não apenas improvável, mas materialmente impossível.
João Costa destacou três grandes pilares que considera essenciais para o futuro europeu: a Educação, a Ciência e as Artes. Três áreas que, segundo afirmou, moldam cidadãos críticos, informados e capazes de contribuir para sociedades mais justas e democráticas. Ao mesmo tempo, foi sublinhado que viver na Europa é um privilégio, não apenas pelas condições materiais, mas sobretudo pelos valores que sustentam a vida democrática.
A conversa sublinhou ainda o valor da democracia e da liberdade como conquistas que não devem ser dadas como garantidas. A Europa continua a resistir a movimentos e tendências que procuram fragilizar estes princípios, exigindo vigilância, compromisso e ação coletiva.
Foram também abordados grandes desafios do presente e do futuro: o risco de desumanização num mundo marcado pela tecnologia e pela velocidade, a urgência das alterações climáticas e a necessidade de preservar a unidade europeia num contexto de incertezas globais. Neste contexto, inclusão, cidadania ativa e empatia foram apresentados como elementos essenciais para manter sociedades coesas e resilientes.
A ideia de que construir é sempre mais difícil do que destruir foi um dos pontos mais marcantes da conversa. Construir exige tempo, diálogo, respeito e visão coletiva, mas é esse esforço que sustenta projetos duradouros, como a própria União Europeia.
No final, ficou a mensagem de que a Europa não é apenas uma estrutura política ou económica: é um espaço de valores partilhados, de desafios comuns e de esperança no poder da colaboração humana.
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